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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Trump e Bolsonaro: interesses distintos

Vera Magalhães

Seguem as análises sobre o significado de os Estados Unidos não terem chancelado a antecipação do ingresso do Brasil na OCDE, conforme a expectativa vendida pelo governo brasileiro. Escrevi ontem aqui no BRP que a decisão norte-americana não significa retirada de apoio ao Brasil, mas apenas que 1) isso não é uma prioridade da estratégia comercial dos Estados Unidos e 2) o estelionato foi cometido pela ala ideológica do governo brasileiro, que vendeu que o País teria um fast-track para a OCDE que nunca existiu.

Em sua coluna no Globo, Guga Chacra analisa o cenário em termos parecidos e acrescenta um elemento: são diferentes as expectativas que Bolsonaro e Trump nutrem no “relacionamento” entre eles. Enquanto o presidente brasileiro idolatra o norte-americano, Trump não considera o Brasil assim tão relevante aos interesses dos Estados Unidos –além de saber que não precisará se esforçar muito para obter vantagens de Brasília.

Na mesma linha, Merval Pereira conclui, também no Globo, que em diplomacia não existem amigos, mas interesses. “A propalada amizade entre Trump e a família Bolsonaro, base para a defesa de uma política externa atrelada aos Estados Unidos, começa a ser desmistificada pelos próprios americanos, que ontem aceitaram Argentina e Romênia no chamado “clube dos ricos”, sem abrir brecha para o Brasil, o que fora anunciado como a grande vitória alcançada na visita do presidente Bolsonaro aos Estados Unidos.”