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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Trump pede que ONU responsabilize China por ‘soltar praga no mundo’

Equipe BR Político

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dedicou a primeira parte de seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, nesta terça, 22, a criticar a China e fez apelos pela responsabilização do país asiático enquanto tentava reivindicar os EUA, que tiveram resultados desastrosos no combate à pandemia, como líder dos esforços contra a crise. “Nós travamos uma batalha feroz contra o inimigo invisível: o vírus da China, que tirou vidas de 188 países e os Estados Unidos lançarão a mobilização mais agressiva desde a segunda guerra mundial”, disse.

O presidente americano Donald Trump durante discurso na Assembléia-Geral da ONU

O presidente americano Donald Trump durante discurso na Assembléia-Geral da ONU Foto: Reprodução/Nações Unidas

“Nós vamos distribuir a vacina, derrotar o vírus, vamos acabar com a pandemia e entrar em uma nova era de prosperidade, cooperação e paz sem precedentes. Enquanto perseguimos esse futuro brilhante precisamos responsabilizar a nação que soltou essa praga no mundo: China”, afirmou. O presidente americano ainda culpou a Organização Mundial da Saúde por, em sua concepção, “dizer falsamente que não havia evidência de transmissão entre humanos” e mais tarde que pessoas sem sintomas não espalhariam a doença. Criticou também a China por ter proibido viagens domésticas, no início da epidemia no país, mas permitido que voos saíssem de lá “e infectassem o mundo”. “As Nações Unidas devem responsabilizar a China por suas ações”, afirmou. 

Trump ainda criticou a emissão de poluentes pela China e comparou aos Estados Unidos, que, segundo ele, depois de sair do Acordo de Paris, que visava a redução das emissões de carbono no mundo, reduziu as emissões do gás mais do que “qualquer país no acordo” no último ano. “Aqueles que atacam o histórico ambiental excepcional americano enquanto ignoram a poluição crescente da China não estão interessados no meio ambiente. Só querem punir os Estados Unidos e eu não apoiarei isso”, afirmou.

Terminadas as investidas contra a China, Trump, que está em plena campanha pela reeleição na presidência de seu país, fez um discurso repleto de tributos à própria política externa, listou “feitos” de seu governo e se colocou como autor de uma “nova forma” de solucionar conflitos internacionais. “Por décadas as mesmas vozes cansadas têm proposto as mesmas soluções falhas, procurando ambições globais às custas de sua própria população. Mas apenas quando você cuida dos seus próprios cidadãos encontrará uma base real para cooperação. Como presidente eu rejeitei as abordagens falhas do passado e estou orgulhosamente colocando a América primeiro, assim como vocês deveriam estar colocando os seus países primeiro”, disse. 

O líder americano, que está atrás de seu oponente democrata, Joe Biden, nas pesquisas de intenção de votos na disputa pela presidência dos EUA, terminou o discurso com uma tentativa de passar otimismo. “Estou confiante que no ano que vem, quando nos reunirmos pessoalmente, estaremos em um dos melhores anos de nossa história e francamente espero que da história mundial”, disse.