Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Turismo soma prejuízos em meio à pandemia

Cassia Miranda

No efeito dominó causado pela pandemia do novo coronavírus, os setores de hotelaria e turismo já sentem os prejuízos. Fronteiras fechadas, voos suspensos, reservas desmarcadas e população reclusa são alguns dos ingredientes que levaram o setor do turismo a perder mais de R$ 14 bilhões, somente em março, de acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). E em abril, o cenário tende a piorar. Isso porque, nesse período está previsto o aumento da curva de contaminados pela covid-19, e porque dois importantes feriados foram diretamente afetados pela pandemia: a Páscoa e Tiradentes.

Terminal 1 do Aeroporto de Guarulhos com baixa movimentação durante pandemia de coronavírus

Terminal 1 do Aeroporto de Guarulhos com baixa movimentação durante pandemia de coronavírus Foto: Werther Santana/Estadão

Segundo o presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Orlando Souza, a ocupação de quartos em hotéis, pousadas e hosteis durante os feriados será próxima de zero. “O impacto é 100% no sentido de não haver movimento. Não há qualquer chance de ter qualquer movimentação de viagens ou de hospedagens que tenham qualquer relação com os feriados”, disse ao BRPolítico. De acordo com Souza, a taxa de ocupação atual de hoteis está entre 0% e 7%. Isso representa cerca de 10% da ocupação no mesmo período no ano anterior. “O feriado deixou de existir. Ele vai ser mais um dia normal de todo mundo em suas casas”, completou. Na avaliação da FOHB, o setor deve deixar de movimentar cerca de R$ 3 bilhões a cada mês em que a pandemia persistir.

No último dia de março, o aeroporto de Guarulhos, o maior da América do Sul, com movimentação de mais de 120 mil passageiros por dia, decidiu fechar temporariamente as operações no Terminal 1. A movimentação da área representava 10% da média diária do total de embarques e desembarques de passageiros.

Na última quinta-feira, o icônico hotel Copacabana Palace, decidiu a fechar as portas pela primeira vez em 97 anos de existência. De acordo com diretora-geral do grupo Belmond do Brasil, Andrea Natal, a previsão de ocupação para março era de 70%, mas o mês encerrou com 36%.

A Região Nordeste, onde grande parte da economia depende do turismo deverá ser a mais afetada pela crise do coronavírus. Principalmente porque os Estados ainda se recuperam dos prejuízos causados pelo derramamento de óleo no litoral.

Desemprego

No momento, a principal preocupação do setor é em não demitir. O economista Fabio Bentes, responsável pelo levantamento da CNC, chama atenção para o impacto que a paralisação das atividades econômicas provocará sobre o já elevado nível de desemprego. “Historicamente, para cada queda de 10% no volume de receitas do turismo o nível de emprego no setor é impactado em 2%, ou seja, os prejuízos já sofridos pelo setor no mês passado têm potencial para reduzir o nível de ocupação em 295 mil postos formais em até três meses”, destaca. De acordo com o Ministério do Turismo, o setor emprega cerca de 6 milhões de pessoas.

Foi principalmente por conta do medo de precisar demitir que o setor se aproximou do governo em busca de medidas que possibilitassem que os postos de trabalho fossem mantidos. Na avaliação da CNC, os prejuízos já sofridos pelo setor têm potencial de reduzir 295 mil empregos formais em apenas três meses.

A resposta veio na forma da Medida Provisória 936, que trata especificamente da manutenção de empregos. De acordo com o texto, as empresas poderão flexibilizar, por três meses, os salários e jornadas de trabalho de seus colaboradores. Em contrapartida, o trabalhador receberá uma parcela do seguro-desemprego proporcional ao valor pago pela empresa. R$ 51 bilhões para auxiliar empresas a evitar a demissão de funcionários durante a crise provocada pela pandemia do coronavírus. A estimativa é de que a medida evite a demissão de 1 milhão de trabalhadores ligados ao turismo.

Cancelamentos

No último dia 8, em parceria do com Ministério da Justiça e Segurança Pública, a pasta de Marcelo Álvaro Antônio publicou a MP 948, focada em regras sobre cancelamentos e remarcações em diversas categorias do setor turístico e também cultural. A medida garante a não obrigação de que o reembolso valores pagos pelo consumidor seja feito imediatamente. A pasta também lançou a campanha “Não Cancele, Remarque!”

O ministério também editou uma portaria que visa facilitar acesso a crédito para micro, pequenos e médios empresários. Por meio do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), os empreendedores contam com redução de juros, o adiamento de pagamentos e a possibilidade de aplicar 100% dos recursos no capital de giro. As empresas do segmento turístico também serão incluídas nas linhas de crédito disponíveis pelo Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal.

Tudo o que sabemos sobre:

Turismoprejuízocoronavírus