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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Uip alerta para ‘sérios problemas’ com leitos em menos de 1 mês em SP

Equipe BR Político

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Longe de ser ideal, o nível mínimo de isolamento de 50% que o governador de São Paulo, João Doria, estipulou para as cidades do Estado foi descumprido mais uma vez na região metropolitana da capital e ficou em 48% na segunda-feira, 4, informou nesta terça, 5, o infectologista David Uip, que chefia o Centro de Contingência contra a Covid-19, em coletiva da equipe de saúde do governo. No Estado, a média de isolamento foi ainda menor: 47%. Se as taxas seguirem baixas, Uip alerta que haverá “problemas sérios de assistência em um espaço não superior a um mês”. “Me refiro a leitos disponíveis na rede, especialmente leitos de UTI”, disse o infectologista, que reforçou que a redução da mortalidade depende da assistência médica que os Estados podem oferecer. “Não é possível trabalhar com esse número”, afirmou.

O infectologista David Uip durante a coletiva desta terça

O infectologista David Uip durante a coletiva desta terça Foto: Reprodução/Governo SP

Nas últimas 24 horas, São Paulo teve 1.866 novos casos de coronavírus e 197 mortes. No total, o Estado já teve 34.053 registros de pacientes com a doença e 2.852 mortesUip destacou que o Estado terá dificuldade com municípios que fazem divisa com São Paulo quando Estados vizinhos chegarem em situação de calamidade.

A ocupação de leitos de UTI hoje está em 86,9%, segundo o secretário de Saúde do Estado, José Henrique German. Ontem o índice era de 88%, e na quinta-feira, 29, antes do feriado, 90%. De acordo com o Secretário, foram colocados no período novos leitos na rede da região metropolitana de São Paulo, “por isso que essa taxa de ocupação diminuiu um pouco”, disse. Germann anunciou que novos respiradores devem ser entregues na quinta-feira, 7, o que permitirá a instalação de mais leitos para tratamento de casos graves da covid-19.

De acordo com o diretor da divisão de pneumologia do Incor, do Hospital das Clínicas, Carlos de Carvalho, que também participou da coletiva, a rede da cidade de São Paulo prepara uma estratégia que pode evitar o uso de respiradores em alguns casos no tratamento do coronavírus. A técnica é feita pelo uso de capacetes, que fazem uma ventilação mecânica “não invasiva”, segundo o médico. O equipamento, entretanto, ainda precisa ser aprovado pela Anvisa. Segundo Carvalho, ele ainda não existe no Brasil, mas equipes têm investido na produção nacional do aparelho. “Aqui em São Paulo temos preparado um protocolo de assistência ventilatória com base em conhecimentos discutidos com colegas da China, Espanha, Itália, que permitiu termos uma taxa de mortalidade de pacientes de UTI menor do que o que está sendo observado em Nova York”, disse.