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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Um abismo na expectativa de vida dos moradores de SP

Equipe BR Político

Enquanto dados do Banco Mundial ressaltam o ciclo de pobreza agravado pela baixa qualidade da educação pública no País, a Rede Nossa São Paulo divulgou nesta terça-feira, 5, o Mapa da Desigualdade de 2019, mostrando que, na capital paulista, a desigualdade gera uma diferença de 23 anos na expectativa de vida entre os moradores da cidade de regiões distintas. Em outras palavras: quem mora em Moema, vive, em média, 80,6 anos; quem mora na  Cidade Tiradentes, na zona leste, vive apenas 57,3 anos. A criminalidade é um dos principais fatores responsáveis por essa diferença. Mas a violência também é desigual em São Paulo: ocorrências de crimes raciais, de gênero e de homofobia são concentradas nos bairros do centro da cidade, como a Sé.

O Mapa da Desigualdade é lançado pela ONG anualmente, desde 2012. Neste ano, o levantamento traz informações adicionais, como o comparativo entre as diversas regiões da cidade a respeito de violência contra a mulher, violência homofóbica e transfóbica, e violência de racismo e injúria racial.

Os feminicídios aumentaram 167% em toda a cidade, especialmente na região da Sé e da Barra Funda. A violência racial também cresceu 22%, e é uma das mais “desiguais” na capital paulista: enquanto algumas áreas, como Alto de Pinheiros, não registram nenhuma ocorrência desse tipo de crime, a Sé registra 13 casos. A distribuição das populações preta e parda também está longe de ser homogênea na capital: eles representam 60,1% da população do bairro Jardim Ângela, na zona sul, por exemplo, mas são apenas 8,06% da população do Alto de Pinheiros e somente 5,8% da população de Moema. Segundo o IBGE, aproximadamente 56% da população brasileira é preta ou parda.

Ainda de acordo com o levantamento, pelo menos 18 bairros de São Paulo não têm leitos hospitalares disponíveis e 6 não contam com unidades básicas de saúde (UBS). O acesso à cultura também é restrito a certas regiões: 54 bairros da cidade não têm cinema, 42 não têm teatro e 53 não têm centros culturais.

Os números mostram que São Paulo abriga tanto indicadores comparáveis a países de primeiro mundo (como a Alemanha, que tem a expectativa de vida média de 81 anos) quanto indicadores de países com conflitos armados, como a Síria (cuja expectativa de vida, após quatro anos de guerra civil, chegou a 55,7 anos em 2014). A realidade paulistana é reflexo da situação do Brasil como um todo, que é o segundo país que mais concentra renda no mundo.

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