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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Um pé na TV e outro nas redes sociais marcam campanha eleitoral

Marlos Ápyus

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Com o início da propaganda no rádio e TV, e a flexibilização do isolamento social na principal disputa deste ano, a campanha eleitoral se aproxima um pouco mais das condições normais de temperatura e pressão. É natural, portanto, que as redes sociais percam um pouco do protagonismo. Mas não todo.

Porque o jogo tem sido “lá e cá”. Assim como o primeiro e (provavelmente) único debate televisionado neste primeiro turno rendeu muito conteúdo nos feeds de notícias, partiu de usuários das redes a denúncia de que o polêmico professor que exibe uma suástica na própria piscina almejava um cargo como vereador no interior de Santa Catarina — o Partido Liberal já o removeu dos quadros, o que inviabiliza a candidatura.

Há a expectativa de que a propaganda na TV dê unidade ao que na web segue difuso. Principalmente após Jair Bolsonaro quebrar a promessa e, ainda no primeiro turno, assumir que possui candidato nas maiores praças — algo que Hamilton Mourão já vem fazendo, mesmo que em cidades minúsculas.

Em São Paulo, o “tempo de TV” é a grande aposta de Bruno Covas, candidato que passou quase todo o ano ausente das redes sociais. Um estratégia semelhante foi o que garantiu a vitória de João Doria em primeiro turno há quatro anos. Entretanto, não deu muito certo para Geraldo Alckmin em 2018. Com o jogo em “um a um”, vale conferir o que resultará dessa “melhor de três”.

Há ainda o risco de a TV “gratuitamente” impulsionar na web quem tem pouco tempo de horário eleitoral. Na estreia, as candidaturas nanicas aproveitaram os poucos segundos para o garimpo de novos seguidores para as redes sociais. Ainda em São Paulo, não será estranho se Marina Helou, Levy Fidelix, Antônio Carlos e Vera Lúcia aproveitarem a generosidade de Márcio França, que cedeu aos adversários espaço no próprio programa, para uso semelhante. Se, na mídia tradicional, os vídeos protagonizam dois blocos de 10 minutos cada, na internet, uma boa equipe pode buscar eleitores 24 horas por dia.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um time ágil permitiu a Joe Biden implementar uma ideia simples e criativa enquanto o debate entre Kamala Harris e Mike Pence se desenrolava na CBS News. E a estratégia crossmedia tem dado certo, com o democrata crescendo nas pesquisas à medida em que o dia de votação se aproxima. Afinal, se o eleitor se habituou a múltiplas telas diante dos olhos, por que o candidato haveria de apostar em apenas uma?

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