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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Uma ideologia por outra também na relação com indígenas

Equipe BR Político

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) já está de volta ao Brasil. Ele desembarcou na manhã desta quarta-feira, 25, em Brasília. Antes de retornar, ainda na noite de terça-feira, 24, foi ao ar no SBT uma entrevista do presidente em que afirmou que “começamos a tirar do Raoni o monopólio de representar os índios do Brasil”. O comentário de Bolsonaro dá sequência ao que disse mais cedo em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, quando afirmou que “não existe uma autoridade única entre os índios”.

Na mesma cerimônia, Bolsonaro leu uma carta do Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil em que dão apoio à Ysani Kalapalo, youtuber de direita e ex-admiradora da Raoni, que integrou a comitiva brasileira na viagem. “A realidade ora posta impõe que o mundo na arena da Assembleia das Nações Unidas possa reconhecer nossos desejos e aspirações na voz da indígena Ysani Kalapalo que transmitirá o real quadro do meio ambiente e das comunidades indígenas brasileiras”, diz trecho da carta.

Com o gesto, Bolsonaro tenta “substituir” perante o mundo uma liderança indígena histórica com crédito internacional – que é crítico do governo – por outra que compartilha de suas ideias. Assim, o presidente repete aquilo que faz desde o início do mandato: substituir uma ideologia por outra, ao mesmo tempo em que condena o que chama de “viés ideológico”.