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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Vaza Jato: Corregedor do MP criticou conduta de Deltan, mas não apurou o caso

Equipe BR Político

De acordo com reportagem da Folha em parceria com o site The Intercept Brasil publicada nesta quinta-feira, 8, o então corregedor-geral do MPF, Hindemburgo Chateaubriand Filho, criticou a conduta do procurador Deltan Dallagnol, chefe da Operação Lava Jato em Curitiba, na divulgação de um evento. O caso envolveu uma publicação feita por Deltan sobre uma palestra dele na qual prometia revelações inéditas sobre a Lava Jato e que teria cobrança de ingresso dos participantes. Na ocasião, o corregedor ressaltou a gravidade da situação, mas deixou de abrir apuração oficial, de acordo com diálogos no aplicativo Telegram obtidos pelo The Intercept Brasil. Em mensagem a Deltan, Hindemburgo manifestou a reprovação ao procurador, que fez alteração no teor da publicidade da palestra. Em seguida, ele comentou que sua intervenção no episódio resultava do apreço que tinha por Deltan e saía da linha de atuação regular de um corregedor-geral, o fiscal máximo da atividade dos procuradores. A divulgação de Deltan gerou polêmica no Ministério Público, e o procurador Vladimir Aras chegou aconselhar o procurador sobre como agir. “Sei que o evento é beneficente e vc tem o melhor propósito. Mas procure evitar a monetização da Lava Jato, ainda que indireta”, escreveu Aras. As mensagens estão reproduzidas com a grafia original.

O post original de Deltan convidava para um evento intitulado “Operação Lava Jato – Passado, presente e futuro – A Lava Jato na visão de quem está no olho do furacão”, que seria realizada na Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) na noite de 4 de julho de 2017. Os diálogos entre o procurador e Hindemburgo apontam que eles também acertaram extraoficialmente em agosto de 2017 que Deltan não iria apresentar formalmente à Corregedoria a lista de empresas para as quais deu palestra remunerada, para evitar a repercussão negativa da eventual indicação dos contratantes. As duas notas enviadas à reportagem pela Corregedoria e pela equipe da Lava Jato dizem que os órgãos e os procuradores não reconhecem as mensagens analisadas pela Folha e pelo Intercept. Afirmam que o material tem origem ilícita e que, por isso, eles não se manifestam sobre o conteúdo específico.