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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Vaza Jato: Força-tarefa planejou buscar provas na Suíça contra Gilmar

Equipe BR Político

Na esteira das investigações contra o acusado de ser operador financeiro do PSDB Paulo Preto, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba planejaram uma busca de provas contra o ministro do STF Gilmar Mendes em contas na Suíça, de acordo com o site El País. A “filial” brasileira do jornal espanhol é o novo parceiro do site The Intercept Brasil na publicação de reportagens feitas a partir de supostas mensagens de membros da força-tarefa pelo aplicativo Telegram. Em conversas que se estenderam durante meses, eles buscaram provas que envolvessem o ministro na investigação e chegaram a cogitar um pedido de impeachment. Os procuradores queriam investigar se o ministro aparecia como beneficiário de contas e cartões que o operador mantinha na Suíça. De acordo com a reportagem, o procurador Deltan Dallagnol foi o principal articulador do plano de rastrear um possível elo entre Gilmar e Paulo Preto. Foi ele a abordar o assunto pela primeira vez no grupo “Filhos do Januário 4”. Deltan teria perguntado aos colegas se a força-tarefa tinha pedido, no âmbito da cooperação com a Suíça, os dados sobre o cartão de crédito de Paulo Preto. Havia, segundo as conversas no grupo, um “boato” de que Gilmar seria beneficiário do dinheiro mantido pelo operador financeiro no exterior.

A Constituição determina que os ministros do Supremo só podem ser investigados com autorização de seus pares, a não ser que apareçam em uma investigação já em curso, a chamada investigação cruzada. Caso seja este o caso, a competência é necessariamente da PGR. A possibilidade de apurar dados a respeito de um ministro do Supremo sem autorização é tratada com ironia entre os procuradores no grupo. “Vc estara investigando ministro do supremo, robinho. nao pode”, diz o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Ahhhaha”, responde o procurador Roberson Pozzobon. “Não que estejamos procurando”, ironiza ele. “Mas vaaaai que”. Na avaliação de especialistas ouvidos pela reportagem, os procuradores de Curitiba demonstraram intenção de desviar a finalidade da investigação, porque tinham autoridade para escrutinar o operador do PSDB, mas planejaram aprofundar essa colaboração com o intuito de atingir o ministro do Supremo. “É uma violação grave do devido processo legal”, afirmou o procurador da República Celso Três. Por meio da assessoria de imprensa, a força-tarefa de Curitiba afirmou que “não surgiu nas investigações nenhum indício de que cartões da conta de Paulo Vieira de Souza tenham sido emitidos em favor de qualquer autoridade sujeita a foro por prerrogativa de função”.