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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Vaza Jato: Novos diálogos indicam que Moro orientava Dallagnol

Equipe BR Político

Em parceria com o site The Intercept Brasil, a reportagem de capa da revista Veja desta semana traz novos diálogos feitos pelo aplicativo Telegram entre o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e o procurador e chefe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, que demonstram que quando ainda era juiz, Moro atuou como uma espécie de chefe do Ministério Público Federal (MPF). Entre as ações que extrapolam a sua função, Moro teria supostamente pedido que o MPF incluísse provas para embasar processos que julgaria na sequência, acelerado ou atrasado operações, além de ter deixado explícito que era contra determinadas delações, como revela o trecho em que Moro comenta os rumores de uma possível delação do deputado Eduardo Cunha. “Sou contra, como sabe”, teria dito Moro a Dallagnol.

Foto: Reprodução

A Veja também divulgou também diálogos entre procuradores. Em uma das conversas Paulo Galvão e Roberson Pozzobon combinaram os detalhes para uma operação a pedido de Moro. “Estava lembrando aqui que uma operação tem que sair no máximo até por volta de 13 de novembro, em razão do recesso e do pedido do russo (Moro) para que a denúncia não saia na última semana”, explicou Galvão. Em outro trecho, seguindo a recomendação de Moro, cobra a procuradora Laura Tessler que Moro sobre o fato de faltar um dado na denúncia contra Zwi Skornicki, representante de estaleiro que pagou propinas a Petrobrás. “Laura, no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído, ele disse que vai receber amanhã e dá tempo. Só é bom avisar”, pontuou Dallagnol. Segundo a revista, foram analisadas pela reportagem 649.551 mensagens.  Procurados pela Veja, Dalla­gnol e Moro não quiseram receber a reportagem.