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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Veja os critérios de Bolsonaro na escolha do PGR

Luiza Ferreira

Ao longo da saga para a escolha do sucessor de Raquel Dodge na Procuradoria-Geral da República, o presidente Jair Bolsonaro deu diversas declarações a respeito do perfil que desejava para ocupar o cargo. Você viu aqui no BRPolítico que o escolhido foi o subprocurador da República Augusto Aras, que concorreu por fora da tradicional lista tríplice. Aras é visto como conservador e alinhado às pautas do governo. Mas, além disso, é possível deduzir outros traços do novo chefe do Ministério Público Federal a partir das declarações anteriores do presidente. Separamos as principais para você:

Augusto Aras, o procurador-geral da República escolhido por Jair Bolsonaro

Augusto Aras, o procurador-geral da República escolhido por Jair Bolsonaro. Foto: Roberto Jayme/TSE

1- “Isentão”

Ainda durante a campanha presidencial, o presidente Bolsonaro já pensava na escolha na PGR. Em 2018, ele afirmou que o critério seria a “isenção”. “É alguém que esteja livre do viés ideológico de esquerda, que não tenha feito carreira em cima disso. Que não seja um ativista no passado por certas questões nacionais”, disse.

2 – Nada de “xiismo”

A questão ambiental parece ter pesado na escolha. Mais de uma vez, Bolsonaro falou que não queria um chefe do MP “xiita” com relação ao meio ambiente. Ele também não queria alguém “xiita” (termo que Bolsonaro usa como sinônimo de “radical”) com relação aos direitos de minorias.

3 – Forças Armadas

Interferir nas Forças Armadas também não vale. “A gente quer que esse futuro chefe do MP trabalhe no sentido junto aos seus pares para evitar tratar de forma xiita minorias, e que tenha um tratamento adequado no tocante às Forças Armadas. Muitas vezes o MP interfere nas questões nossas (militares)”, disse o presidente em agosto.

4 – Alinhamento

Além disso, um dos critérios utilizados pelo presidente foi o alinhamento com a agenda de desenvolvimento do governo. “Não podemos ter uma pessoa que atrapalhe o ministro Tarcísio (Freitas, da Infraestrutura), quando quer rasgar uma estrada”, disse Bolsonaro nesta quinta-feira. Segundo o presidente, o nome escolhido tem que ter a “bandeira do Brasil em uma mão e a Constituição na outra”.

Em agosto, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, disse que o governo buscava alguém que “dê estabilidade institucional, sem viés ideológico, nem para um lado nem para o outro, mas que tenha um compromisso com temas maiores para o País”. Questionado se isso significava alguém alinhado com as pautas do governo, o porta-voz disse que deveria ser alguém “alinhado com o Brasil”.

5 – Nota 7

Bolsonaro também não quis saber de um PGR “nota 10”. O chefe do Executivo afirmou que o escolhido não poderia ser excepcional em apenas um aspecto do cargo – como, por exemplo, o combate à corrupção – e deixar a desejar em outros. “Eu não quero uma pessoa que seja 10 em uma coisa e zero na outra. Quero que seja sete em tudo, para poder equilibrar. Não podemos ter uma pessoa lá preocupada apenas com uma coisa”, afirmou o presidente em agosto. “Tem que tirar nota 7 em tudo e ser alinhado comigo”, reforçou hoje.