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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Versão de Bolsonaro ‘não se sustenta’ com vídeo, diz fonte

Vera Magalhães

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Uma fonte que teve acesso à íntegra do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril que é um dos elementos-chaves do inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura as investigações do ex-ministro Sérgio Moro disse nesta terça-feira ao BR Político que a versão dada nesta tarde por Jair Bolsonaro a jornalistas a respeito do encontro “não se sustentará” quando e se a íntegra da filmagem for divulgada.

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimonia de hasteamento da bandeira nesta terça

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimonia de hasteamento da bandeira nesta terça Foto: Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro foi bastante ousado: aboletado em cima da rampa externa do Palácio do Planalto, sendo inquirido pela imprensa de baixo para cima, o presidente disse, num tom de voz até bastante tranquilo, que o vídeo não contém as palavras “Polícia Federal” e “superintendência”, nem mesmo “investigação”.

Na sua versão, quando falou a respeito de sua família, foi para externar preocupação com sua segurança, algo que seria constante desde que foi esfaqueado, em 2018. Bolsonaro inclusive falou, de forma confusa, a respeito de uma suposta intenção de Adélio Bispo, o autor do atentado contra ele, pretender matar um de seus filhos.

A fonte consultada pelo BRP disse mais de uma vez que quando o vídeo vier à tona o presidente será desmentido. Não entendeu a falta de assessoria para evitar que Bolsonaro “bancasse” uma negativa assim tão peremptória, uma vez que a íntegra pode desautorizá-lo de forma cabal.

Bolsonaro também demonstrou uma visão bastante peculiar da decisão de divulgar o vídeo, como se fosse uma “gentileza” da sua parte para com o STF, e não o cumprimento a uma ordem judicial da mais alta Corte do País. Ele disse que o vídeo “não é oficial” e que poderia ter sido “destruído”, uma vez que o registro teria sido feito de forma extraoficial apenas para registro de “imagens de divulgação”. Mas que como ele não quis “mentir”, não disse que o vídeo foi destruído, o que, na sua lógica bastante pessoal, poderia ter feito.