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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Viagem de Bolsonaro à Índia deve render resultados imediatos

Cassia Miranda

Com o cancelamento da ida ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, a viagem do presidente Jair Bolsonaro à Índia será a principal agenda que ele terá neste começo de ano. A comitiva brasileira estará em Nova Délhi entre os dias 24 e 27 deste mês.

Encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante reunião do Brics, em novembro. Foto: Alan Santos/PR

Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, a agenda do grupo ainda está sendo montada. Já é certo, contudo, que Bolsonaro vai depositar flores no túmulo do pacifista Mahatma Gandhi, principal líder da independência indiana, assim como fizeram FHC e Lula, quando foram presidentes.

Bolsonaro é convidado de honra do primeiro-ministro Narendra Modi para as comemorações do Dia da República da Índia, celebrado em 26 de janeiro. Além de uma visita diplomática, a ida ao país asiático terá também um forte apelo comercial. Assim como o Brasil, a Índia faz parte dos Brics, bloco de países emergentes, formado em 2006, integrado também por Rússia, China e África do Sul.

Se considerados o crescimento da Índia nos últimos anos e a participação de Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial de 2019, há bons motivos para acreditar que os frutos colhidos nesta viagem devem ser maiores do que uma eventual participação no fórum deste ano, apesar de serem eventos com naturezas diferentes.

“É uma excelente viagem para início de ano”, avalia o gerente-executivo de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Diego Bonomo. “Basta pensar que no ano passado, o presidente visitou e depois recebeu visitas também no Brasil de países que representam 54% do nosso comércio exterior. Mas alguns países, claro, ficaram de fora. Um deles é a Índia. Então, começar o ano com essa viagem a um mercado grande e que tem esse simbolismo da visita, do convite e da data escolhida, é muito importante. É uma visita que a gente tem expectativa de ter bastante resultado”, diz.

De acordo com relatório do Fundo Monetário Internacional de julho de 2019, para este ano a perspectiva de crescimento econômico da Índia (7,1%) é superior à da China (5,9%). Diesel, inseticidas e poliéster são os principais produtos que o Brasil compra da Índia. Daqui, saem principalmente: petróleo, soja e ouro. “A Índia é um dos dez mercados estratégicos para indústria. É o segundo maior mercado consumidor do mundo, só perde para China, e até o meio do século ela deve superar a China e se tornar o maior mercado consumidor do mundo”, aponta Bonomo.

A previsão é de que a comitiva seja composta pelos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, da Agricultura, Tereza Cristina, da Economia, Paulo Guedes, de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque, além do secretário especial de Comércio Exterior, Marcos Troyjo. O peso da comitiva revela as intenções.

Ao menos três negociações encaminhadas devem ser anunciadas durante a viagem. A primeira é o acordo de cooperação e facilitação de investimentos (ACFI). Outra é um acordo previdenciário, que permite às empresas recolher uma única vez para a seguridade social e aos empregados expatriados contabilizar o período de trabalho para a aposentadoria. A terceira negociação é um acordo para pôr fim à bitributação entre os dois países. A expectativa de Bonomo é de que a viagem traga resultados imediatos para o comércio e indústria do Brasil.

Agricultura. Em dezembro, a ministra Tereza Cristina havia dito que a parceria na produção de etanol seria um dos temas tratados. “Um dos pedidos do primeiro-ministro (Modi) quando esteve aqui (durante a Cúpula do Brics) foi tratar de bioenergia”, disse a ministra.

Outro assunto é a perspectiva de venda de carne de aves para os indianos, que abriram o mercado para os produtos brasileiros. Em 2019, a Índia consumiu cerca de 5 milhões de toneladas de carne, montante superior ao volume exportado de carne brasileira de frango para outros países, de 4 milhões de toneladas em 2018.