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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Vídeo atribuído à Secom prega: ‘O Brasil não pode parar’

Equipe BR Político

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Depois de a Secretaria de Comunicação da Presidência lançar, como um aperitivo no perfil do governo federal no Instagram, a campanha com a hashtag  “O Brasil não pode parar” por causa do coronavírus, circula nos grupos de WhatsApp e em canais não oficiais no YouTube um vídeo com a logomarca do governo federal e da Secom e a mesma hashtag pregando que empresas, trabalhadores autônomos e profissionais liberais retomem suas atividades e interrompam o isolamento social recomendado pelo Ministério da Saúde e determinado por vários governos estaduais.

O video é longo: 1’27”. Isso indica que é uma peça produzida com o intuito de circular por aplicativos e redes sociais, e não ser veiculada na TV aberta ou por assinatura. Peças para esses veículos costumam ter 30 segundos ou no máximo 1 minuto.

O vídeo também não apareceu até aqui em nenhum canal oficial da Secom. Questionada, a pasta não confirma nem desmente a autoria. Assessores de vários ministérios consultados pelo BR Político dizem que receberam o vídeo como sendo da Secom. Encaminhei a pergunta a respeito de se o vídeo é mesmo da Secom para o titular da secretaria, Fábio Wajngarten, que se recupera de Covid-19, e aos ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde), mas não obtive resposta.

Um dos canais do  YouTube que propagaram a peça diz que a campanha será lançada “amanhã” (ou seja, nesta sexta-feira) pelo governo federal. A Secom até aqui não confirmou nem desautorizou o uso do slogan oficial do governo, Pátria Amada Brasil, nem da sua logomarca no vídeo.

No único post oficial com a hashtag #OBrasilNãoPodeParar, postado no Instagram do governo federal no dia do pronunciamento de rádio e TV de Jair Bolsonaro, o texto diz o seguinte: “A quase totalidade dos óbitos se deu com idosos. Portanto, é preciso proteger estas pessoas e todos os integrantes dos grupos de risco, com todo cuidado, carinho e respeito. Para estes, o isolamento. Para todos os demais, distanciamento, atenção redobrada e muita responsabilidade. Vamos, com cuidado e consciência, voltar à normalidade”, diz o perfil do governo federal.

A estratégia estimula o desejo daqueles que já não aguentam mais ficar em casa isolados, e não a necessidade médico-sanitária para que as pessoas fiquem em casa como forma de evitar a disseminação do coronavírus.

O vídeo “oficial clandestino” que usa o logo da Secom e a mesma marca vai na mesma direção, e mostra imagens de operários, ambulantes da praia, pedreiros, empregados domésticos e outros profissionais dos grupos mais vulneráveis da sociedade, instando-os a retomarem as atividades.

Embora não apareça até agora em nenhum canal oficial, o vídeo foi compartilhado no Facebook pelo senador Flávio Bolsonaro.

https://www.facebook.com/watch/?v=198469951450285