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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Visa depreciar o trabalho jornalístico’, diz defesa de Glenn

Equipe BR Político

Depois da denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) acusando o jornalista Glenn Greenwald de ter orientado os hackers que invadiram celulares de autoridades no âmbito da Operação Spoofing, a defesa do jornalista afirmou ao Estadão que a ação do MPF tem objetivo de “depreciar o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil em parceria com outros veículos da mídia nacional e estrangeira”. 

A operação apura invasão a celulares de autoridades por hackers, que resultou no vazamento de mensagens entre procuradores da força-tarefa da Lava Jato e do então juiz federal Sérgio Moro pelo site The Intercept

De acordo com o MPF, o jornalista não era alvo das investigações, porém durante a análise de um computador apreendido na casa de Walter Delgatti Netto, um dos hackers, foi encontrado um áudio de diálogo entre Luiz Molição, também envolvido no hackeamento, e Glenn. O jornalista não pode ser investigado, devido a uma medida cautelar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Segundo a resposta dada pelo advogado que defende o Glenn, Rafael Borges, a denúncia teria desrespeitado a liminar do STF.

A conversa do áudio encontrado pelos procuradores teria ocorrido logo após a invasão sofrida por Sérgio Moro, segundo a denúncia. “Molição deixa claro que as invasões e o monitoramento das comunicações telefônicas ainda eram realizadas e pede orientações ao jornalista sobre a possibilidade de ‘baixar’ o conteúdo de contas do Telegram de outras pessoas antes da publicação das matérias pelo site The Intercept. Greenwald, então, indica que o grupo criminoso deve apagar as mensagens que já foram repassadas para o jornalista de forma a não ligá-los ao material ilícito”, diz o MPF.

De acordo com os procuradores, a atitude de Glenn Greenwald caracteriza “clara conduta de participação auxiliar no delito, buscando subverter a ideia de proteção a fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos”.

A denúncia defende que o inquérito cumpriu a liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes que proíbe que Glenn seja investigado e responsabilizado pelas autoridades públicas e órgãos de apuração administrativa ou criminal (como a Polícia Federal) pela “recepção, obtenção ou transmissão” de informações publicadas na imprensa.

Resposta do advogado de Glenn Greenwald, Rafael Borges, na íntegra:

“Recebemos com perplexidade a informação de que há uma denúncia contra o jornalista Glenn Grenwald, cofundador do The Intercept. Trata-se de um expediente tosco que visa desrespeitar a autoridade da medida cautelar concedida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 601, do Supremo Tribunal Federal, para além de ferir a liberdade de imprensa e servir como instrumento de disputa política. Seu objetivo é depreciar o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil em parceria com outros veículos da mídia nacional e estrangeira. Os advogados de Glenn Grenwald preparam a medida judicial cabível e pedirão que a Associação Brasileira de Imprensa, por sua importância e representatividade, cerre fileiras em defesa do jornalista agredido”.

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