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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Vocês não vão botar no meu colo essa conta’, rebate presidente

Alexandra Martins

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Numa tentativa de corrigir o estrago de seu “e daí?” dito ontem à noite sobre as 5 mil mortes oficiais de brasileiros em razão da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro começou na madrugada desta quarta, 28, a divulgar uma outra parte de sua fala se solidarizando com as vítimas. Só que essa fala solidária foi dita após saber que estava ao vivo pela imprensa. Agora cedo, na porta do Palácio do Alvorada, Bolsonaro reforçou que “vocês não vão botar no meu colo essa conta”. “Não adianta a imprensa querer colocar na minha conta essas questões que não cabem a mim. O Supremo (Tribunal Federal) decidiu que quem decide essas questões (sobre restrição) são governadores e prefeitos. Eu desde o início me preocupei com vidas e empregos”, afirmou.

Bolsonaro inverte, no entanto, a decisão do STF sobre a quarentena. O que o Supremo decidiu não é que os governadores é que decidem as regras de quarentena. O que decidiu é que o governo federal não pode sustar medidas de Estados e municípios.

O presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quarta

O presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quarta em frente ao Alvorada Foto: Reprodução

Ao lado dele estava uma tropa de choque das mais fiéis de deputados e uma deputada do PSL. Bibo Nunes (RS), que se diz jornalista, ditou seu entendimento de jornalismo. “Jornalista deve noticiar, jamais questionar ou debater”, esbravejou. Antes dele, Caroline de Toni (SC) afirmou que os decretos dos governadores sobre isolamento social “são inconstitucionais”. Um outro, Luiz Lima (RJ), fez uma espécie de lamento contra as restrições da prefeitura do Rio também para reforçar o coro de apoio a Bolsonaro: “Minha mulher foi presa”.

Veja a parte em que Bolsonaro muda o tom para se solidarizar com as 5.017 vítimas da covid-19:

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