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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Volta segura às aulas é volta com vacina’, diz presidente Fepesp

Equipe BR Político

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O dilema entre a tentativa de evitar prejuízos pedagógicos ainda maiores e a insegurança de planejar um retorno quando a pandemia ainda não dá sinais de arrefecer fez com que o governo de São Paulo decidisse adiar para 5 de outubro a volta às aulas no Estado. A decisão tomada nesta sexta-feira, 7, pelo governador João Doria (PSDB) permite ainda que as instituições que estão em regiões já na fase amarela há mais de 28 dias tomem a decisão de retornar às atividades no dia 8 de setembro.

Governo de SP adia volta às aulas para 5 de outubro. Foto: Edmar Barros/Estadão

Apesar dos prejuízos pedagógicos do período de aulas remotas, professores têm relatado se sentirem inseguros para voltarem às escolas. Para o presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp), Celso Napolitano, a volta parcial, como o governo do Estado planeja, com apenas 40% dos alunos, não aliviaria o problema.

“Acredito que esse período não vai resolver nada na vida da criança. Essa criança ficou de março a agosto sem aula. Penso que isso não tem como ser recuperado de setembro a dezembro. E com uma insegurança total por parte das famílias”, afirmou.

Em conversa com o BRP, Napolitano aponta as principais preocupações de educadores representados pela Fepesp quanto ao retorno e o que é necessário para uma volta mais segura.

Celso Napolitano fala em comissão na Câmara. Foto: Reprodução/Youtube

BRP – Quais são os protocolos necessários para a volta às aulas com segurança?

Consideramos que além de regras sanitárias, a volta à escola tem que observar outros protocolos no que se refere ao acolhimento das crianças. Protocolos psicológicos e também fonoaudiológicos, porque professores vão trabalhar de máscara. Entramos entrando no Ministério Público do Trabalho para que convoque o sindicato patronal e possamos fazer um estudo com uma comissão multidisciplinar na área de saúde estabelecendo condições para a volta que os profissionais consideram que por enquanto não serão atendidas.

O aluno já foi transferido do ambiente presencial para o virtual de uma hora para outra. Agora ele sai do virtual e volta para o presencial, só a adaptação a esse novo ambiente já vai demorar um pouco. Uma volta às aulas não é como reabrir restaurante, parque, concessionária, muito pelo contrário, envolve toda a parte psicológica e pedagógica das crianças. Se efetivamente as condições sanitárias estiverem em situação de segurança, queremos que esses protocolos sejam os mais abrangentes possíveis.

Em que condições o sindicato considera o retorno seguro?

Trabalhamos com a ideia de que volta segura é volta com vacina, com todo mundo. Mas, se de fato retornar antes, não é simplesmente só a questão de quantos morreram ou quantos leitos de UTI estão disponíveis. Há outras questões que devem ser consideradas também. Faltou articulação e liderança do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde. Faltou no País inteiro um sentimento de liderança em termos sanitário e de educação para que essas situações fossem resolvidas. Ficou muito na base de governador contra presidente, a ala ideológica, e esqueceram da população. Se for na base do afogadilho, a toque de caixa, porque vai aprovar, vai passar para o ano que vem e eu vou continuar cobrando a matrícula, é muito complicado. Os professores não são responsáveis por isso, as famílias não são.

A evasão escolar e migração de alunos de escolas particulares para as públicas preocupam?

Na volta, se está acontecendo com todos os setores de serviço em geral, vai acontecer com a escola particular. Por isso que penso que as entidades representativas das escolas tinham que pensar em algum tipo de situação emergencial que pudesse atender uma parte das escolas que têm um trabalho sério. No ensino particular pode haver uma migração, agora eu acho que o prejuízo maior é ver uma classe social econômica menos favorecida, que já está na escola pública, que não tem condições de acompanhar aula virtual. A maior preocupação é com essas pessoas, que vão efetivamente evadir da escola e não vão voltar. Haverá um agrupamento de pessoas de classe social menos favorecida que vai perder a escolaridade. É um problema muito sério que vai marcar a sociedade brasileira. / Roberta Vassallo, especial para o BRP.

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