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por Marcelo de Moraes

‘Vou defender Ciro, mas não impomos um nome’, diz presidente do PDT

Equipe BR Político

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Apesar de ter tido uma queda em relação a 2016, o PDT é o partido que governará a maior população entre as siglas que se colocam à esquerda no espectro político: 10,8 milhões de pessoas. O resultado, para o presidente da legenda, Carlos Lupi, mostra que o partido ganhou “consistência” para levar seu projeto presidencial adiante, afirma ao BRP. O líder diz que pretende usar as alianças firmadas e prefeituras conquistadas neste ano para pavimentar o posicionamento que o partido tomará em 2022.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi Foto: Reprodução/Instagram PDT

Em uma eleição que deu as maiores vitórias a partidos de centro e centro-direita, o PDT foi o que mais conseguiu segurar o comando de prefeituras no campo progressista. O posicionamento da sigla, no entanto, tem sido embaralhado com a aliança firmada com o DEM em Salvador, que Lupi vê como um ponto de partida para uma parceria maior. Ciro Gomes, principal nome do PDT para 2022, tem adotado um tom de litígio com alguns nomes da esquerda e principalmente com o PT, o que pode dificultar a formação de uma aliança ampla no campo para o futuro. Segundo Lupi, no entanto, a sigla não pretende recusar apoios da esquerda. O presidente do partido afirmou inclusive que, apesar de defender o nome de Ciro, não o colocará como imposição em uma possível aliança.

Sobre Flávio Dino, cirticado por Ciro nesta segunda-feira, 30, Lupi diz acreditar que “o processo mais natural” é que o governador do Maranhão esteja junto ao PDT. “Até porque nós já o apoiamos em duas eleições”, disse.

Ao BRP, Carlos Lupi fala sobre o saldo da eleição municipal e o caminho que o PDT trilhará a partir de agora.

BR Político – O PDT é o partido que governará o maior número de habitantes entre as siglas do campo progressista. O que o resultado desta eleição significa para o futuro da sigla?

Carlos Lupi – Esta eleição, mesmo tendo muito mais um conteúdo da fotografia das realidades locais, também faz uma espécie de pavimentação para o caminho nacional. Então acho que pode ser um instrumento importante para olhar para o amanhã como um futuro mais promissor.

Vamos focar agora na boa gestão, os prefeitos eleitos serem referência para cidadania. Não adianta ganhar um grande número de prefeitos se não forem referência porque aí a gente não consegue avançar num sentido de políticas públicas serem reconhecidas pela população como respaldo para futuras disputas. A primeira etapa é gestão, fazer boas administrações para servirem de referência. Segundo, como temos hoje um partido com maior capilaridade no Brasil todo, são 314 prefeitos, mais de 3,3 mil vereadores, tendo sucesso a gestão, utilizar esses modelos para dar capilaridade à nossa campanha nacional. Reafirmar nosso projeto nacional desenvolvimentista, levar a campanha de Ciro Gomes, cuja candidatura à Presidência da República é o nosso projeto para 2022. 

O partido investirá mais em alianças com o centro ou com a esquerda até lá? 

Estamos construindo um projeto cuja base é uma aliança com o PSB, que foi muito exitosa nestas eleições, não só em vitórias eleitorais, é exitosa no sentido de ter uma costura que se espalhou para o Brasil todo. Está saindo do polo do ódio e indo para o polo da construção de um alternativa para o Brasil. E é claro que nessa alternativa temos que ter a abertura de entender que sozinhos não vamos a lugar nenhum. Precisamos ter alianças com setores do capital produtivo, alianças, como já estamos fazendo, com prefeituras exitosas, como exemplo a de Salvador, onde fomos aliados de ACM Neto, lançamos o candidato a vice e ganhamos no primeiro turno. A gente olhou a questão da gestão e isso pode possibilitar uma aliança exitosa para o futuro também. 

Ciro Gomes tem feito críticas fortes a nomes da esquerda. Além do PT, hoje mesmo ele criticou Flávio Dino, um dos nomes proeminentes no campo nacionalmente. O PDT pretende fazer uma oposição a esses atores ou há chance de se pacificar com forças da esquerda?

Nós temos o polo principal, essa aliança com o PSB e estamos abertos a todos que queiram ajudar a construir esse projeto. Isso não tem uma conotação de um partido A ou B. Estamos desenhando desde a campanha do Ciro em 2018 um projeto nacional desenvolvimentista, com polo em todos os setores da economia, por exemplo para taxar grandes fortunas, para taxar lucros de grandes grupos multinacionais, de enfrentar o sistema financeiro. Quem é que vai estar nesse projeto conujo? Aí estamos abertos a todos que queiram participar desse projeto. É claro que eu vou defender dentro do partido e à sociedade que o melhor nome é o Ciro. Mas nós não impomos um nome, queremos conquistar um projeto que represente uma alternativa para esse neoliberalismo que está imposto no Brasil e que na minha opinião está levando o Brasil andar que nem caranguejo, para trás.

Uma eventual aliança com Flávio Dino está na mesa?

Nós apoiamos o Flávio Dino desde sua primeira eleição. O PT lá no Maranhão, por exemplo, apoiou a Roseana Sarney contra o Dino. E nós estivemos com Flávio Dino contra o PT. Então nossa história com Dino é de aliança já no primeiro mandato dele. É um nome consistente, que tem tudo para crescer na política. Mas temos que ter clareza que nós o apoiamos desde sua primeira eleição, o que não foi feito pelo PT. É um exemplo concreto. Eu acredito que o processo mais natural do Flávio é estar junto com a gente até porque nós já o apoiamos em duas eleições.

Guilherme Boulos saiu mais conhecido desta eleição, apesar da derrota em São Paulo. O PDT consideraria a inclusão de um nome como o dele, ou deve se restringir a alianças que acenam mais ao centro?

Acho que todos os nomes têm que ser discutidos. Boulos é jovem, mostrou sua capacidade de diálogo com a sociedade, não vejo ele com esse sectarismo que quererm colocar, acho que tem futuro e é um nome que a gente tem. Nenhum projeto nacional será vitorioso sem passar por São Paulo. E Boulos mostrou uma força em São Paulo que tem que ser considerada em qualquer projeto futuro.

A que o sr. atribui o bom desempenho do PDT em comparação aos demais partidos do campo progressista neste ano?

Esse projeto que o Ciro começou a desenhar em 2018 começou a ganhar corpo. Nós tivemos candidaturas em todo o Brasil que foram muito forjadas, alimentadas pelo projeto que o Ciro representou e 2018. Isso fez o partido crescer em termos de candidaturas, de consistência. Por isso que acho que isso será uma base de capilaridade muito grande para a campanha dele em 2022. /Roberta Vassallo

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