Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Wassef diz que Queiroz seria morto e ‘forças ocultas’ tentariam incriminar Bolsonaro

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

O advogado Frederick Wasseff, que no último domingo, 21, deixou a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso da “rachadinha” com salários na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), alega que abrigou o ex-assessor Fabrício Queiroz em sua casa em Atibaia para proteger o ex-PM e proteger a família Bolsonaro.

Capa da Revista Veja de 26 de junho de 2020. Foto Reprodução/Veja

Em entrevista à revista Veja, Wassef constrói a tese de que Queiroz estava ameaçado de morte e que, assim como ocorreu no caso Marielle Franco e Adriano da Nóbrega, “forças ocultas” tentariam responsabilizar o clã Bolsonaro pelo crime. Na narrativa criada pelo advogado, em momento algum ele cita a possibilidade de apresentar à polícia tais ameaças contra a vida de Queiroz.

Na versão contada por Wassef, ele afirma ter prestado um favor ao Ministério Público e ao Poder Judiciário do Rio de Janeiro ao abrigar Queiroz. “Na verdade, eu prestei um favor ao Poder Judiciário do Rio de Janeiro e ao Ministério Público do Rio de Janeiro porque hoje eu acredito que, se Queiroz não estivesse num lugar mais tranquilo, eu acho que hoje ele não estaria vivo. E o presidente Bolsonaro ou a família Bolsonaro estariam sendo investigados por um suposto assassinato. Uma fraude, como já disse, parecida com aquela da Marielle ou do Adriano da Nóbrega”, afirma.

“Passei a ter informações de que Fabrício Queiroz seria assassinado. O que estou falando aqui é absolutamente real. Eu tinha a minha mais absoluta convicção de que ele seria executado no Rio de Janeiro. Além de terem chegado a mim essas informações, eu tive certeza absoluta de que quem estivesse por trás desse homicídio, dessa execução, iria colocar isso na conta da família Bolsonaro. Havia um plano traçado para assassinar Fabrício Queiroz e dizer que foi a família Bolsonaro que o matou em uma suposta queima de arquivo para evitar uma delação”, afirmou.

Passada uma semana após a prisão de Queiroz, Wassef sustenta a versão de que o presidente Bolsonaro não sabia do paradeiro do ex-assessor. O advogado nega a narrativa de que estava escondendo Queiroz e afirma que nunca deu qualquer ajuda financeira a ele.

“Nunca. Jamais. Eu não ajudei ninguém financeiramente. Essa ilação que estão tentando fazer para dizer que houve uma ajuda ou patrocínio é mentira. O meu objetivo único era preservar aquela vida para que ela pudesse servir ao Poder Judiciário do Rio de Janeiro, ao Ministério Público e aos meus interesses enquanto advogado do senador Flávio Bolsonaro. É o mais absoluto, perfeito e regular exercício da advocacia”, disse.