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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Wassef, em 4ª entrevista em 2 dias, isenta Bolsonaro e filho e renuncia ao caso

Vera Magalhães

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Frederick Wassef, o advogado proprietário do sítio em Atibaia no qual Fabrício Queiroz foi preso, concedeu neste domingo nova entrevista à CNN Brasil, a segunda à emissora e a quarta no total apenas no fim de semana. Desta vez, pela primeira vez, disse que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não sabiam que o ex-assessor parlamentar do hoje senador estava em seu imóvel.

Já no final da entrevista, revelou que vai renunciar ao caso Flávio Queiroz e substabelecer a procuração para representá-lo a outro advogado. “Qualquer dano de imagem que eu possa ter causado ao presidente e ao senador eu peço desculpas”, disse. Em nenhum momento da longa e confusa entrevista ele esclareceu como e por que Queiroz, que foi preso na quarta-feira, chegou a sua casa.

Numa entrevista nervosa e contraditória, Wassef insistiu na tese de que houve um cerco a Queiroz nunca visto antes com outros investigados, numa sanha para atingir os Bolsonaro.

Afirmou que, a despeito de Queiroz ter sido preso em seu imóvel, não tem seu telefone e não fala com ele.

Questionado sobre por que Queiroz veio se tratar do câncer em Atibaia, sendo que é do Rio de Janeiro, disse que não sabe. “Quem sabe ele estava sem dinheiro, abandonado?”.

Afirmou que movimentação atípica não é crime. “Estamos vivendo uma nova era no Brasil: estamos transformando extratos bancários de várias pessoas, uma verdadeira contabilidade. Isso parece mais milhares de operações matemáticas e de contabilidade que uma investigação”, afirmou, em referência ao procedimento investigatório aberto contra Flávio Bolsonaro.

“Se era tão grave, por que não ofereceram denúncia em um ano?”, questionou Wassef, sem ninguém perguntar. “Posso te dar mil explicações para essa movimentação financeira”, diz o advogado.

Repetiu sem parar, interrompendo o entrevistador, que seu cliente é vítima de perseguição, de Santa Inquisição, fez apenas uma narrativa confusa e contraditória, dizendo que nunca falou com Queiroz no telefone, que nunca foi transferido dinheiro de Queiroz para Flávio Bolsonaro.

Sua maior preocupação era midiática. Ficou falando mais da exposição do cliente que se preocupando em refutar juridicamente as acusações que pesam contra seu cliente.

Na entrevista, Wassef desmentiu Karina Kufa, advogada de Bolsonaro e da Aliança pelo Brasil, que havia divulgado nota dizendo que ele não é advogado do presidente. Disse que é, sim, advogado de Bolsonaro e chamou Kufa de antiética.