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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Weintraub já está nos Estados Unidos, diz irmão

Vera Magalhães

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O assessor especial da Presidência Arthur Weintraub, irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, informou neste sábado pelo Twitter que seu irmão já está nos Estados Unidos, para onde se mudará com a família caso seja aprovado para a cadeira no Banco Mundial para a qual Jair Bolsonaro prometeu indicá-lo.

 

 

 

 

 

 

A cadeira na diretoria do Banco Mundial que cabe ao Brasil seria dada a um indicado de Paulo Guedes, mas foi prometida pelo presidente a Weintraub como prêmio de consolação pela demissão.

O próprio Weintraub fez uma postagem agradecendo o número de seguidores na qual aparece Miami, na Flórida, como localização.

O ex-titular da Educação foi mantido como investigado, por decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal, no inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes que apura fake news e ameaças contra integrantes da corte. No dia 22 de abril, em reunião ministerial, Weintraub defendeu a prisão de todos os “vagabundos” que seriam contra o governo, a começar pelos 11 ministros do STF.

Ele também é investigado em outro inquérito por acusação de racismo contra os chineses graças a uma postagem em que usava uma tirinha da Turma da Mônica para ironizar a troca do “r” pelo “l” por chineses quando falam português.

Na última quinta-feira, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) apresentou representação no STF para que Weintraub fosse impedido de deixar o País e tivesse o passaporte apreendido. Mas não houve uma decisão da corte, nem mesmo liminar, então, caso de fato ele já esteja nos EUA, como disse o irmão, não há ilegalidade.

Mas há algumas questões a serem esclarecidas: se Weintraub teve tanta pressa em deixar o Brasil, temia ser preso? Ministros do STF com os quais conversei neste sábado dizem que isso é “lenda” e que não há esse risco iminente.

Além disso, Weintraub terá de se apresentar quando convocado a depor ou prestar informações nos dois inquéritos nos quais é investigado. Há dúvida se pode ser ouvido por carta rogatória, instrumento usado para inquirir residentes no exterior. Para isso, no entanto, ele teria de ter um visto que assegurasse sua permanência nos EUA, o que ainda não tem. Sua nomeação, aliás, nem foi oficializada.

Por fim, os Estados Unidos anunciaram recentemente restrições à entrada de brasileiros naquele País. Não há informações sobre se Weintraub — caso tenha de fato embarcado e não se trate de uma brincadeirinha entre os irmãos lacradores para confundir a imprensa — viajou de voo de carreira e que tipo de passaporte usou. Ministros têm direito a passaporte diplomático, e Weintraub ainda não teve a exoneração publicada no Diário Oficial. Isso facilita os trâmites de entrada em outro País. Também ainda não há informações sobre se o Itamaraty fez contato com as autoridades norte-americanas para facilitar a entrada do ex-ministro.