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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Weintraub não nega ter xingado ministros em reunião

Equipe BR Político

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O ministro da Educação, Abraham Weintraub, não negou que tenha xingado ministros com palavrões na reunião ministerial do dia 22 de abril que agora é alvo de investigação em inquérito no STF para apurar se o presidente Jair Bolsonaro tentou intervir na Polícia Federal. “Não me lembro de xingar, não é do meu feitio”, reiterou ele em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta manhã de segunda, 11. O titular do MEC, no entanto, declarou que anda muito “chateado” com tudo que está acontecendo no Brasil. “Eu não me lembro de ter falado alguma coisa de baixo calão. Se me perguntar se estou satisfeito com o que está acontecendo no Brasil, vou responder que estou muito chateado”, acrescentou. Sua chateação se deve às medidas de isolamento tomadas em vários Estados, especialmente em São Paulo, onde há “uma catástrofe” e “politicagem” em curso sob mando do governador João Doria (PSDB-SP). Questionado novamente sobre a reunião da qual participou, Weintraub quis encerrar o assunto. “É uma reunião fechada, do ponto de vista legal não tem muito o que ser dito. Como ministro, prefiro não comentar”, disse.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub

O ministro da Educação, Abraham Weintraub Foto: Dida Sampaio/Estadão

Como você leu mais cedo aqui no BRP, o ministro teria proferido xingamentos contra os ministros do STF e de que o próprio presidente teria feito comentários em tom não republicano em relação à China. O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu que apenas os diálogos entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro na reunião devem ser divulgados. Para cercar a exibição de cuidados, o ministro Celso de Mello reforçou em seu despacho que as pessoas autorizadas a assistir à gravação da reunião ministerial estão sujeitas a penas do artigo 325 do Código Penal, que prevê multa ou detenção de seis meses a dois anos para quem “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”.

Sobre outra polêmica que o cerca, a do Enem, Weintraub se colocou contra o adiamento das provas por causa da pandemia do novo coronavírus. “Essa crise vai passar, que eles (estudantes) fiquem em casa estudando, os livros foram distribuídos antes da crise, estamos subindo uma serie de programas para auxilia-los. A gente tem que lutar pela nossa liberdade, pela nossa vida. O que o Estado vai fazer por você? O estado é parede, é tijolo”, resumiu. O ministro anunciou ainda as novas datas de inscrição do Sisu, de 16 a 19 de junho; do Prouni, de 23 a 26 de junho, e do Fies, de 30 de junho a 3 de julho.

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