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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Witzel diz que STJ foi ‘induzido’ pela subprocuradora Lindora Araújo

Equipe BR Político

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O governador Wilson Witzel (PSC), afastado nesta sexta, 28, por 180 dias do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), creditou à subprocuradora Lindora Araújo a decisão da Corte. Segundo Witzel, o STJ foi “induzido” pela auxiliar de Augusto Aras. Para o Ministério Público Federal, “a partir da eleição de Witzel, estruturou-se no âmbito do governo estadual um a organização criminosa”.

Lindôra Araújo, a subprocuradora-geral da República, Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ

Para o governador, que reforçou suas suspeitas de que uma “perseguição política” possa vir do Palácio do Planalto, “a busca e apreensão, mais uma vez, é uma busca de decepção. Na encontrou nenhuma joia, um real, é um circo a ser realizado. A decisão do ministro Benedito Gonçalves, induzido pela Procuradoria-Geral da República, na pessoa da doutora Lindora, que está se especializando em perseguir governadores, desestabilizar Estados, com investigações rasas, buscas e apreensões preocupantes. Eu, assim como outros governadores, estamos sendo vítimas de possível uso politico da instituição”, afirmou o governador afastado, em pronunciamento nesta manhã.

Entenda a denúncia

Witzel foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi denunciado, junto com a mulher e mais sete pessoas, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresas ligadas à área da saúde. A denúncia aponta pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto, preso na Lava Jato, e pela empresa da família de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda (RJ), ao escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel, que “foi utilizado para escamotear o pagamento de vantagens indevidas ao governador, por meio de contratos firmados com pelo menos quatro entidades da saúde ligadas a membros da organização criminosa e recebimento de R$ 554.236,50, entre agosto de 2019 e maio de 2020”.

Lindora comanda investigações na PGR relacionadas a desvios de recursos públicos para o combate da covid-19. Ela foi alvo do imbróglio dentro da PGR por ter tentado ter acesso a informações sigilosas da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Witzel disse que desafia qualquer investigador a apontar qualquer ato ilícito praticado por ele, bem como negou que tenha contribuído para impedir as investigações. “Todas as medidas que venho tomando são absolutamente contrárias a qualquer decisão de afastamento”, afirmou, listando algumas, como afastamento de secretário, banimento da Organização Social envolvida na denúncia, auditoria em todos os contratos com suspensão de pagamentos e implantação de um sistema eletrônico de informação, levantando o sigilo de contratos sub judice.

O governador admitiu que se trata de uma “questão pessoal” dele contra Lindora Araújo. “Ela me adjetivou como chefe da organização criminosa. Quero que ela apresente um único email, um único telefonema, uma prova testemunhal, um pedaço de papel em que eu tenha pedido qualquer tipo de vantagem ilícita para mim. Para haver lavagem de dinheiro tem que ter prática ilícita”, acrescentou.

O governador afastado também cobrou uma apuração do Conselho Nacional do Ministério Público da relação de proximidade de Lindora Araújo com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-SP), que é pública. “A procuradora Lindora tem relação com Flávio Bolsonaro. Essas questões precisam ser respondidas no CNMP”. Ele citou como exemplo a decisão do Supremo Tribunal Federal de declarar a parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro. “Não sou a favor de Lula, nem contra Lula, mas o STF está chegando à conclusão de que o ex-ministro Moro foi parcial e, com essa decisão, o ministro (Edson) Fachin foi claro: evitou que Lula disputasse a Presidência da República”.

Entenda a denúncia

Witzel foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi denunciado, junto com a mulher e mais sete pessoas, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresas ligadas à área da saúde. A denúncia aponta pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto, preso na Lava Jato, e pela empresa da família de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda (RJ), ao escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel, que “foi utilizado para escamotear o pagamento de vantagens indevidas ao governador, por meio de contratos firmados com pelo menos quatro entidades da saúde ligadas a membros da organização criminosa e recebimento de R$ 554.236,50, entre agosto de 2019 e maio de 2020”.

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